Mulheres brancas amo

Videopedia de clássicos do Youtube nacional

2020.11.24 14:46 1Warrior4All Videopedia de clássicos do Youtube nacional

Após o senhor da Consulta às 5 ter falecido e eu ter descoberto graças ao Tugalord a história da Anabela Malhadas, resolvi criar uma thread com videos clássicos do Youtube português.
São aqueles vídeos que merecem ser vistos em maratona numa noite de copos ou quando simplesmente estiverem deprimidos e precisarem de umas gargalhadas.
A lista vai ser atualizada quando me lembrar de mais e por favor sintam-se à vontade para sugerir outros que merecem estar nesta lista.
Cumprimentos, metam nos favoritos e divirtam-se durante esta quarentena! Felizes festas amigos.
EDIT: OBRIGADO PELO APOIO, PELAS INÚMERAS SUGESTÕES E PELOS AWARDS. Quando tiver tempo faço uma playlist!
Zé Tolo
Olha que lindo, tudo naifado!
Sou um Cristão e um Cristão não Teme!
Castanho Provocante
Que Informação Dramática!
O homem estava descomposto
Olhoz abionz látraz!
Quem é o Maior? É o Ricardo!
O que faz falta na TV?
Samuel Massas 30 crl!
É TCHOURIÇA, É TCHOURIÇA
Oh Prima que Rica Prima
Tenho que Abandonar!
Sou mecânico
Uma patite!
Humidade
Grizeu
Vasquinho do Teleférico de Guimarães
Velha da Beira
D. Manuela no Honda S2000
Eu sei lá se são os chineses...
Um rapaz toxicoindependente
Eles ganham 10, as mulheres fodem 20
Eu amo-te, percebes?
Promoção Cantinho dos Saltos
Shrek diz palavrão
Super Macho
Assalto em Paredes
Xom Xom
Tu bates mal men!
Josefa Casaleira
Hoje quem fala sou eu
Não me convidem mais pra pesca
Incrível!
Xixi Maluco
É meme a partire
Madjimby(ver o canal do rei)
Nelo Chapeiro (ver a playlist)
Bou-te comer e comi!
Tudo cagado tudo cheio de pedras
Super Bock - Entrevista
Entrevista ao Garanhão do Chiado
dnedheaududhnsjkdbd Sardinhas?
Vitor Loureiro, o adepto do Benfica
Pita do Ask.fm
Batata moh?!
Pitas à porrada por causa do hi5
KATYZINHA - CORTES & DECOTES
Secção Estudantes Mamados
Fomos minadas!
Não sei porque tenho a língua azul
Na mecânica e também ando no roubo
Os meus doutores
Escacar Pedra
Chupei um gajo
Secção: PRANK CALLS
Telefonema ao FCP
Telefonema à Telepizza
Telefonema à Danone
Telefonema Paulo Pissas
Telefonema à McDonalds
Telefonema Vai Chamar a Tua Filha
Anabela Malhadas - Não sei se é prank call, mas é chamada!
Secção TRALHOS
A queda do Joãozinho
Não dói, juro pela minha morte...
Sai da frente Guedes!
Vai Zema!
Bou me fuder
Especial Curto Circuito:
És uma grande puta que andas metida com o João
Hino ao Pénis
Estou todo queimado
João Manzarra atirado ao lixo
Cachola ganha uma PS3
Mãe do Jel
Kanimambo
Especial Preço Certo
Marlene Turbinada
Concorrente dança Michael Jackson
Fernando Mendes topless
O carteirista
Sr. Zé com os copos
Especial EURO 2016
Ronaldo atira microfone ao lago
Chuta daí caralho!
O que vão fazer se Portugal ganhar o Euro?
Hoje é feriado!!!!
Clipes Épicos de TV e Filmes Nacionais
Bernardina desanca Tiago na Quinta
Marco dá pontapé na Sónia
EPÁ, Leave me Alone!!
Herman aos tiros no estúdio da Roda da Sorte
DIGA UM!
NTV Telejornal
Acidente no Porto Canal
MATARAM-ME!
CONA!
Tarado na SIC Notícias
Nuno Melo emociona-se
Tá tudo preso seus cabrões
Tu tás fodido pa!
Clipes musicais
Diogo e Tiago Comboio
O filho do recluso
Made in Portugal
Ganza na Areia
6 pães e meia broa
Cheiras a cocó
É DJ Vibe, é Carl Cox
jp gang o puto maravilha
António Mendes é quem reina
Nic Nic Avec Moi
Original Maria Leal
Bandidos Porto
Menino Giro
Hino da Branca
MC Ana Pita da Quarteira
Urban Gorillas
Retirei as menções, porque é muita gente e não tenho tempo ou espaço para adicionar os nomes. Todos os comentadeiros abaixo ajudaram imenso. Esta thread não é minha, é nossa, é património nacional!
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2020.11.08 05:43 jogaforarapido Existe alguma coisa que ligue ideologias incels (?) a caras CASADOS e "de família"??

Então, sei que rola muito essa discussão de violência contra a mulher e que a eleição de bolsoanaro claramente impactou muito o crescimento de casos e deu carta branca pra "pai de família" branco hetero casado cristão ser uim grandessíssimo escroto entre as 4 paredes de casa.
O que tá me deixando MUITO intrigado ultimamente é: que porra tá rolando com o que esses caras andam falando por aí? Minha mãe sofre violência doméstica (em suma psicológica, patrimonial, financeira etc) e a mãe de uma amiga também, esses dois caras não são amigos e não convivem no mesmo espaço mas fazem e falam EXATAMENTE A MESMA COISA. Eles abusam de álcool algumas vezes, e sempre repetem as mesmas falas: ameaça de morte (mais especificamente tiro na cabeça), chantagem emocional no sentido de "te amo, amo a família, quero lutar por isso", chamar a mulher de sapatona (?), ficar um ciclo sendo "perfeito" e surtar em alguns dias por algo pífio, fazer muita questão de dinheiro, acusar a parceira de roubo, falar muito/mandar recadinho pelo whatsapp, dentre outras coisas.
Sei que isso envolve machismo, obviamente, alguns indícios de transtornos mentais e relacionamento abusivo mas eu tô simplesmente chocado e assustado em como isso tá acontecendo da mesma forma, como eles se comportam do mesmo jeito e como parece que isso tá acontecendo com um monte de mulher à minha volta, bastando reparar um pouco.
Mais alguém tá passando por algo parecido?? Esses caras se comunicam entre si ativamente sobre isso? Tô imerso nessa situação, sem ter muito o que fazer e com medo de que esses caras "trabalhem" juntos, sabe.
Ia postar no brasil mas precisa de karma e 5 dias de conta etc
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2020.09.14 13:44 JustCallMeLyraM8 GT DA BROTHERAGEM

GT DA BROTHERAGEM
/cc/
>eu tenho um amigo bem próximo
>amigo não
>ele é tipo um irmão
>amo aquele filho da puta
>vamos chamar ele de Maicão
>nos conhecemos no jardim da infância
>dividíamos o todynho e o biscoito passatempo no recreio
>bolachaéocaraio.mp3
>estudamos na mesma turma até a quinta série quando os pais dele se mudaram pra longe da escola
>ele continuava morando na mesma cidade, mas tava numa escola diferente
>ainda assim nos víamos todos os fins de semana
>nossas famílias se tornaram amigas também
>tudo era um mar de rosas até o final de 2004
>ano 2005
>entra uma aluna nova na minha turma
>o nome dela era Thais
>lembro como se fosse ontem do momento em que ela entrou na sala
>tudo parecia ter ficado em câmera lenta
>o sol batia nela
>o ventilador soprou seus cabelos
>ela marchava como uma égua manga larga do trote formoso
>paudureci naquele exato momento
>o foda é que eu tava em pé naquela hora e a primeira aula era de educação física
>short.gif
>todo mundo da sala começa a rir de mim e a gritar
>me chamaram de pau retrátil porque foi só a menina aparecer que ele subiu
>morri de vergonha naquela hora
>sentei na cadeira e pus a mochila no meu colo
>eu só queria sumir
>até a professora riu
>mas a Thais não
>ela sentou atrás de mim e disse pra eu não ligar pra eles e que eu ficava lindo com vergonha
>caraio vei não pude acreditar
>eu era tão tímido que pedi pra ir no banheiro na mesma hora e fiquei trancado lá até a hora do recreio
>quando o recreio chegou eu pus o dedo na goela na frente da sala dos professores
>acho que vomitei até meu intestino naquela hora
>comecei a dizer que tava passando mal
>os professores me liberaram da escola e fui pra casa mais cedo
>chego em casa e passo a tarde toda tendo fantasias masturbatórias com a Thais
>eu era tão beta quanto aqueles peixes de briga
>quando a noite chega eu corro pra casa do Maicão
>conto tudo pra ele feliz da vida
>Maicão fica feliz por mim
>brodagem.rar
>segue o jogo
>durante o resto do ano eu iria me aproximar cada vez mais da Thais e me afastar cada vez do Maicão
>ele dizia que ela tava me afastando dele mas eu discordava
>dizia que era coisa da cabeça dele
>o tempo passa
>a Thais é promovida à pitanguinha e a distância entre mim e meu brother ia aumentando cada vez mais
>um dia briguei feio com o Maicão quando ele disse que ela tava cmg só por conta do meu dinheiro
>eu não era rico, mas da escola eu era o mais bem de vida
>meu pai era o único que não tava preso e não trabalhava com drogas
>minha mãe não trabalhava na zona
>zoas ela trabalhava sim
>ela agenciava a tua mãe, aquela puta boqueteira
>zoas de novo, minha mãe era artista plástica
>um dia eu acabo falando pra Thais que o Maicão tava se sentindo escanteado
>ela começa a me dizer que era inveja do nosso relacionamento e que ele só queria nos separar
>acabo dando ouvidos a ela e brigando feio com ele
>putaquepariuqueburrice
>nunca devia ter dado ouvidos à ela
>foco no gt
>paro de falar com o Maicão e cada vez mais me entrego pra a Thais
>toda semana era cinema
>lanche na Mc Donald’s
>roupa na Marisa
>minha mesada começou a ser exclusivamente dela
>um belo dia recebo uma mensagem do Maicão dizendo que a Thais tava me traindo
>respondi mandando ele tomar no cu
>ja faziam uns 5 meses que eu não falava com ele e do nothing ele vinha com um papo desses
>ele disse que eu devia ficar atento aos sinais
>não dou a foda pro que ele diz e continuo o namoro
>na semana seguinte vejo ela com uma marca roxa no pescoço
>ela diz que tinha caído da escada
>eu disse que acreditei mas fiquei desconfiado
>nada me tirava da cabeça oq o Maicão tinha me dito
>procuro ele e conto oq aconteceu
>diferente de mim ele não era um filho da puta
>Maicão me ove e depois me conta tudo que sabia
>a Thais tinha vindo da escola em que ele estudava
>ela era conhecida como viúva negra na escola
>ela se prendia à um macho e sugava tudo dele até ele não ter mais nada
>sim, ela tmb sugava o pau
>não, ela não tinha sugado o meu ainda
>Maicão continua a história dizendo que tinha visto ela saindo da casa de um carinha que morava no mesmo bairro dele
>até aí não vi nada demais
>mas ele me disse que ela tinha dado um beijo na boca do cara na saída e quando virou de costas o cara deu um tapa na bunda dela
>ÉOQ?!
>aquela vadia não tinha nem sequer me deixado pegar na bunda dela ainda
>dizia que era só depois do casamento
>eu era beta betoso full +15
>ela me levava pra igreja todo domingo
>acreditava nela sem questionar
>caio no choro e o Maicão me consolou
>disse que eu não tava sendo um bom amigo mas que ele nunca deixou de me ter como irmão
>bolamos desmascarar ela juntos
>ela ia pra casa dele toda sexta de noite
>realizo que era a hora que a mãe dela saía de casa pra ir pro culto de oração da igreja
>caraio_como_sou_burro.jpeg
>chifre.rar
>no dia seguinte falo com a Thais como se nada tivesse acontecido
>ela diz que me ama
>digo que amo ela tmb
>caraio, eu queria matar ela ali naquela hora
>mas amava aquela desgraçada
>feelsbad.png
>sexta feira
>19h
>tava com o Maicão escondido na rua da casa dela
>avistamos a mãe dela saindo de casa
>corremos pra mãe e contamos a história
>mãe não acredita, mas topa ir com agnt até a casa do talarico
>19:30h
>Thais sai de casa com um short enfiado no cu
>pqp pra quê enfiar tanto ssaporra?
>tava tão fundo que ela devia ta sentindo do gosto dele
>seguimos ela de longe
>a vadia entra na casa do moleque
>nessa hora a mãe dela já queria matar ela, mas eu fiz ela esperar
>entrei dando um chutão na porta da frente
>queria pegar ela com a boca na botija
>e consegui
>infelizmente a botija em questão era a rola do cara
>ela tava engolindo o pau daquele moleque com uma facilidade absurda
>nem sua mãe consegue engolir minha piroca tão fácil
>foco no gt
>Thais leva um susto tão grande na hora que morde o pau do cara
>num ato reflexo por conta da dor o cara da um murro na cara de Thais
>ela cai no chão
>a mãe dela comeca a bater nela com uma havaianas e depois começa a arrastar ela pelos cabelos pra fora de casa
>a Thais é arrastada pela rua até chegar em casa
>racho o bico com a cena como mil hienas comemorando a morte do Mufasa
>peço perdão pro Maicão pela cagada que fiz
>Maicão diz que fui um idiota, mas que era o irmão dele e que nada iria nos separar
>dois dias depois Thais chega na escola toda roxa
>tinha apanhado tanto que o conselho tutelar tirou a guarda dela da mãe
>ela chega perto e diz que quer falar CMG
>ignoro
>ela me puxa pelo braço, olha no meu olho e diz:
>como vc descobriu?
>digo que o Maicão me contou tudo
>ela diz que vai pra um orfanato hoje. Só foi na escola buscar sua transferência.
>Kkkkkjkkjjjk
>ela diz que eu posso rir agora, mas quem ri por último ri melhor. Disse também que nunca iria esquecer aquilo e que o Maicão iria pagar por ser x9
>puxo meu braço, dou as costas e vou embora
>ano 2016
>terminei a escola e faço faculdade
>Maicão faz o mesmo curso que eu e estudamos na mesma turma novamente
>full brothers +15
>desde o episódio com a Thais nunca mais tínhamos brigado
>trabalhávamos, tínhamos nossa independência
>tudo ia bem até recebermos o convite para uma festa que rolaria naquela noite
>eu e o Maicão dividiamos o apartamento agora
>o convite veio por baixo da porta dentro de um envelope
>open_bar.jpeg
>o envelope vinha com 2 pulseiras
>as pulseiras davam acesso à área vip da festa onde rolaria os alcoolismo
>ficamos relutante por um momento até abrirmos a carta
>a carta tava endereçada à mim e ao Maicão
>era uma letra de mulher
>não tinha muita informação só dizia que não deviamos perder a festa por nada e que lá tudo seria explicado
>não tinhamos nada à fazer então topamos
>22h
>party.time.jpeg
>logo de cara fomos recebidos por duas loiras peitudas que estavam de camisa branca
>ambas estavam dançando na entrada da festa enquanto se molhavam com uma mangueira
>séélococuzão.rar
>a festa tinha uma proporção de 4 depósitos para cada homem
>a cada dois homens, um era gay
>era tipo o plenário da câmara dos deputados só que ao contrário
>quando entramos no salão principal todo mundo virou pra a gente
>tipo aquela cena do universidade monstro
>as depósitos cochichavam entre elas
>pensamos que tinha algo errado conosco mas a vdd é que éramos os caras mais lindos dali
>na vdd nem éramos isso tudo, mas tínhamos rola e éramos heterossexuais
>feelsalpha.png
>fomos andando até a área vip
>a decoração da festa era cheia de fotos de uma depósito
>era uma ruiva 10/10
>a festa devia ser dela
>tive a impressão que ja tinha visto ela em algum lugar
>áreavip.gif
>a área vip era lotada de bebidas
>não tinha uma depósito abaixo de 8/10
>no buffet tinha camarão e lagosta
>mano do céu era a festa mais foda que eu ja tinha ido
>quando olho pro lado ta o Maicão atracado com uma mina
>dois minutos depois a mina larga ele e agarra outra mina
>ÉOQ?!
>aquilo tava parecendo um bacanal grego
>uma coisa no entanto me incomodava
>quem teria nos convidado?
>avisto a anfitriã da festa, aquela ruiva 10/10
>ela se aproxima de mim lentamente
>mano do céu, paudureci na hora
>só conseguia imaginar eu enfiando o pau tão fundo nela que quando eu terminasse ia ta na camada do pré-sal
>a calça aperta e ela percebe que estou preparado para o abate
>fico sem graça e tento disfarçar
>ela vem por trás de mim, ri e diz que eu fico lindo com vergonha
>gelei na hora
>caraio, era a Thais - pensei
>pergunto se ela era a Thais
>ela ri e me chama de idiota.
>diz que seu nome é Raquel
>caraio, ela nao tinha nada a ver com a Thais
>errei feio, errei rude
>pensei que tivesse estragado minha chance
>raciocinando com a destreza de um crackudo na fissura e digo:
>é porque thaislinda com essa roupa
>ela ri, eu rio, segue o jogo
>nessas horas eu nem sabia mais que existia um Maicão
>só pensava em mergulhar naquelas tetas magníficas
>na boa, se ela fosse minha mãe eu mamaria até hj
>quando olho pro lado o Maicão tava agarrado com duas ao mesmo tempo
>bodyshot.gif
>caraio o Maicão tava levando uma surra de peito na cara enquanto bebia e eu no 0x0
>me aproximo da ruiva já na maldade
>ela chega do meu lado
>põe a mão no meu ombro e fala na minha orelha direita:
>quem é esse teu amigo?
>poooooooooooorra.mp3
>o moleque ja tinha catado duas e agora ia catar a ruiva
>tive vontade de mandar ela se fuder, mas ele era meu brother, não podia prejudicar ele
>nenhuma depósito ficaria entre nós
>não deu nem 10 minutos do momento que disse o nome dele pra ela e ela ja tava agarrada nele
>a ruiva chupava a língua dele como se fosse o último picolé do verão
>avisto uma depósito 9/10 dançando sozinha
>penso em me aproximar, mas antes que eu chegue a ruiva puxa ela e põe na roda com o Maicão
>ja não entendia mais nada
>eu sempre pegava as depósitos +/10 do que ele e agora ele tava numa orgia de bocas e eu sem nada
>começo a beber
>realizo que ta na hora de baixar as expectativas
>avisto uma ananzinha 5/5 escorada no balcão
>me aproximo dela e pergunto se o pai dela era padeiro
>ela pergunta se era pq ela era um sonho
>eu digo que era pq eu queria comer a rosca dela
>sério que anã rabuda do carai
>a anã me dá um tapão e sai de perto
>vsf que festa merda do carai
>comecei a beber descontroladamente pra compensar a frustração
>dou em cima da garçonete
>a garçonete era uma trans
>ela me esnoba e vai embora
>vômito.rar
>caraio nem a mulher com rola me quis
>decido que hoje não é meu dia e que ta na hora de voltar pra casa
>procuro o Maicão pra ir embora cmg
>vejo ele entrando no carro com duas 1,5 depósitos
>pensei que ele tivesse indo pra um motel ou algo do tipo
>ele tava de mãos dadas com a ruiva e com a anã 5/5
>a ruiva olha pra mim, da uma risada e depois um xauzinho
>caraio que raiva daquela ruiva
>me esnobou e agora vai dar pro meu brother
>faço sinal pro Maicão que vou embora
>ele grita “Oklahoma”
>era nosso sinal secreto
>significava que ele ia realizar o ato de socação intra uterina e que eu não deveria incomoda-lo
>entendo o recado, dou meia volta e volto pra casa
>chegando em casa
>tudo girava por conta do álcool
>brinco um pouco com o o Visconde de Sabugosa até ele cuspir
>durmo
>no dia seguinte acordo com dor de cabeça, deitado no sofá
>percebo que tinham 537272717 chamadas não atendidas no meu celular
>todas do Maicão
>imagino todas as desgraças do mundo
>comeco a ligar de volta mas ele nao atende
>recebo uma ligação de um número desconhecido no meu celular
>é uma mulher
>ela ria descontroladamente
>disse que estava na festa o tempo todo me observando
>pergunta se a noite foi boa e se eu peguei alguém
>mando ela tomar no cu e digo que peguei a mãe dela
>ela racha o bico e diz que é impossível pq a mãe dela foi a primeira a pagar oq devia
>gelei na hora
>reconheci a voz
>era a Thais
>ela começa a contar seu plano do mal
>diz que foi parar num orfanato depois daquele episódio
>que apanhou muito da família onde foi parar mas a família era podre de rica
>a família produzia festas tipo o tomorrowland
>viajaram pra fora do país e levaram ela junto
>disse que por muito tempo quis se vingar mas a família não dava a foda
>dois meses atrás a família tinha morrido num acidente de carro e ela ficou como única herdeira
>ela pôs como meta de vida concluir a vingança que passou anos arquitetando
>disse que a festa foi planejada por ela
>que todas as depósitos da área vip foram contratadas por ela baseadas no meu tipo de mulher
>pergunta como me senti não pegando ngm e vendo o meu “amiguinho” catando todas
>respondo que a vingança dela era uma merda e que tava feliz pelo meu brother
>ela racha o bico e diz que a vingança dela não era me deixar sem pegar ngm
>ela queria se vingar dele por ele ter dedurado ela
>pergunto qual vingança há em encher a rola dele de depósito
>você verá - ela me disse
>desligo o espertofone e percebo que chegou uma mensagem do Maicão no oqueapp
>faz uma semana que o Maicão toma mais coquetel que o Amaury Jr.
pica relatada da mensagem
https://preview.redd.it/9o5g9y8ep3n51.jpg?width=1080&format=pjpg&auto=webp&s=3dbefd7c59d10e7b40b9168ddac79176762f8591
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2020.08.10 18:46 EstiloTorres Camisa social rosa é a peça da primavera

USE ROSA COM CONFIANÇA
Conforme eu cresci e desenvolvi meu estilo, as vezes paro e olho para um tempo em que estava apenas aprendendo. Muita coisa mudou. Muito do que me faltava naquela época era confiança. Não tinha interesse em usar coisas fora da minha zona de conforto.
Se tivessem a opção, alguns homens nem mesmo considerariam usar uma camisa social rosa fora do uniforme obrigatório. A cor rosa por muito tempo teve a conotação de ser efeminada. Por vergonha ou preconceito, a maioria dos homens se mantém firme no raciocínio de que vestir rosa é reservado para mulheres.
Como a maioria das coisas no estilo masculino, normalmente associamos as cores com uma estação apropriada. A camisa social rosa é uma daquelas peças de roupa cuja popularidade aumenta durante os meses de primavera e verão. Embora seja uma mudança bem-vinda do seu típico branco ou azul claro, a camisa rosa em linho ou tecido de algodão é tão versátil durante todo o ano quanto durante os meses mais quentes.
O rosa é ótimo para qualquer tom de pele. Cavalheiros com pele mais escura geralmente ficam bem em tons mais claros. Pense em tons de rosa bebê ou blush claro. Caras de pele mais clara (ou se você ainda não conseguiu aquele bronzeado de verão) ficarão melhor com tons mais escuros. Explore uma cor como o pêssego ou o salmão claro. Se você não tiver certeza, uma opção é o padrão listrado que funcionará em quase todos os homens.
Eu amo combinar uma camisa rosa claro com uma jaqueta cor de bronze claro. Uma jaqueta como esta é tão versátil que pode facilmente ser combinada com calças azuis ou marrons. Na primavera, não há muito que um casaco esporte de algodão / linho não consiga trabalhar. Eu particularmente amo este por sua textura em espinha de peixe interessante.
Usar uma gravata pode parecer formal, mas não quando é uma malha de seda de verão. Brian falou longamente sobre a versatilidade da malha de seda. Esta combinação verde e rosa é inesperada, mas funciona bem. Não tenha medo de tentar combinações de cores incomuns ao usar uma camisa social rosa. Pense nisso como se fosse uma camisa social azul ou branca.
Em vez do mocassim típico, um mocassim duplo de camurça marrom pode ser uma escolha fácil para a estação. Usado com meias, é claro, é uma grande mudança dos sapatos típicos de couro marrom. A sola de material emborrachado vermelho mantém o lado casual, o que é perfeito para esse look geral.
O que você acha deste visual? Você vai usar rosa este ano?
Obrigado pela leitura.
submitted by EstiloTorres to u/EstiloTorres [link] [comments]


2020.06.20 13:01 kamapu98 Não sei oq ser da vida , um desabafo sobre algumas coisas da minha vida

Eu literalmente não sei oq ser da vida! Curso direito e acho uma grande grande grande grande grande merda ( desculpas para os q gostam ). Enfim, eu não aguento mais ver aula online e fingir gostar da interação, era pior ainda antes de toda essa pandemia chegar na minha vida ( de todos né ) pq tinha que ir na faculdade e lá pqp cheio de playboy idiota e patty sertanejo do hb20 branco que gosta de aparecer e que te acha estranho por não querer socializar com eles. Mano namoral eu to só o ódio, minha família só tem bolsominion retardado e minha tia que mora comigo fica saindo de casa pra socializar com a célula da igreja evangélica dela ... sendo que tem minha avó que é obesa, diabética e hipertensa ... se ela pegar isso é bye bye e pqp minha tia uma imbecil me irrita pra krlh essa mulher não aprende sabe. Em 2018, eu bati no meu ex padrasto que é Policial ( porco fardado cof cof ) pq ele é extremamente abusivo com minha mãe, traía ela e isso foi no dia do meu aniversário. ( eu sei que eu errei batendo nele, fui pedi desculpas aí ele devolveu kkkkk aí o pau torou dnv) resumindo: esse cara é um porco fardado, policial corrupto de merda e eu sei de várias merdas que ele já fez pq minha mãe já me falou, ( tipo merda pesada, morte 💀 ) graças a Deus eu treino bjj e consegui não me sair mal na porrada, espero que ele morra namoral cara nojento traiu minha mãe até pela webcam... enfim, eu odeio minha faculdade, mas vou terminar pq só falta 1 ano, odeio esse meu ex padrasto ser humano nojento sujo faz de tudo pra ter oq quer ( sem falar um dia que eu peguei um atalho por uma quebrada pra ir pra facul e eu tava de carro, aí logo na entrada do beco tinha umas pedras, e quando eu fui entrando percebi uma viatura me seguindo com sirene desligada só na mutuca esperando eu entrar lá, mano se eu entro lá já era tlg era um baculejo que eu ia levar dele, era pra me pegar isso Ctz sério, não é paranoia eu vi o cara que tava dentro da viatura, só que eu vi de longe, e parecia muito com ele, só que eu sei a ré na hora e sai voado e eles ficaram só olhando ) e minha mãe tinha me avisado pra trocar de rota da faculdade pra casa pq ele poderia fazer algo sei lá né... enfim se um dia eu morrer foi esse filho da puta nojento, na mão não garante e quer me matar na troca de bala. Fraco. E ah essa quebrada tem tráfico e tals, bocadinha meio perigosa mas sempre peguei atalho por lá e nunca deu nada, mas depois desse dia nunca mais kkk e ah, a mamãe ficou do lado do cara e parei de falar com ela por um bom tempo, mas aí ela voltou a falar comigo e terminou com o cara. Pq ela terminou ? Pq ele não deixava de trair ela e ser extremamente tóxico abusivo krlh a 4 de coisa ruim. Mas mesmo voltando a falar com ela, eu não consigo gostar mais dela da mesma forma, ela fala que mudou mas continua a mesma pessoa homofóbica, minion com opniões ridículas sobre o Brasil e os brasileiros, tipo tão burra que parece meme, sem falar o preconceito com outras religiões que não sejam a dela que ela super “normal” ... e ela gosta de aparecer, é extremamente estressada, sempre que estar correta e não aceita um debate/diálogo ... tem opniões totalmente sem embasamentos científicos .. parece uma pinscher branca raivosa kkkk pqp eu já aceitei ela ser assim mas porra muito tóxica, amo ela mas pqp depois de tudo isso não consigo mais gostar dela ... e meu pai morreu de overdose ( ele lutou por anos contra o vício ) passei por tanta coisa tentando ajudar ele e ele perdeu essa batalha 🥺 nunca vou esquecer do meu melhor amigo .. que Deus o tenha. E por causa dessa morte dele, ela ( minha mãe ) já me falou tanta besteira sobre ele, que ele é vagabundo, doente, um filho da puta, ladrão , roubava dinheiro da tua avó pra comprar droga etc etc etc E ISSO EU ERA CRIANÇA MANO QUEM FALA ISSO PRA UMA CRIANÇA CARA! PQP! Uma hora ela fala bem e outra fala mal dele, o cara era uma pessoa incrível porém lutava contra uma doença, a dependência química ( não cheirem cocaína e fiquem longe de álcool pessoal , isso acabou com a vida de um homem e me traumatizou tanto que até hoje me pego pensando como seria se ele estivesse aqui) . Meh odeio isso .... pelo menos minha vida melhorou muito com a minha namorada ( já namoro tem 5 anos ) ela é incrível cara, linda, legal, me ajuda e me aconselha. Vou terminar essa faculdade, passar na Oab ( acho que não é difícil sabe, só que é muito chato mano odeio isso cara não me vejo advogando) eu queria ser artista ou pro de cs kkkkkkk não riam por favor, eu sou até bom no cs tenho quase 4 k de horas e comecei a jogar na GamersClub pra ver se consigo alguma coisa, porém a ficha caiu hoje que tenho que estudar mais e parei de assinar a plataforma e só volto a assinar quando atingir outros objetivos pessoais ( como passar na Oab). Vou começar a estudar mais, pra compensar a falta de um rola no Bjj eu comecei a malhar em casa mesmo ( parei com o treino por causa da covid e não quero passar isso pra minha avó , não saio de casa mano to com um cabelão playmobil kkk ) e quem sabe me engajar no mundo da música, faria música tipo a Ana Frango Elétrico ou Rage Against the machine ou até mesmo um rap como o Criolo, mas eu sou branco e branco no rap brasileiro é meio gosta né, os caras são tudo machista, tóxico e trata mulher como puta e gosta de pagar de bandido aparecendo em clipe com a parede de reboco kkk pelo amor de Deus isso é pior que branco que usa dread loiro é de foder tlg Mn . Desculpa esse texto todo errado, escrevi com sono é errado após pensar muito sobre a vida nessa madrugada ( já são 7 da manhã aqui kkk ) enfim tenho que agradecer por não passar fome, ter uma cama e um teto, fora ter a oportunidade de estudar e crescer na vida pq eu conheço gente que estudou comigo que trocou a caneta pela pistola 😔 foda tudo isso.
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2019.09.01 17:37 Capivaras (SCI-FI/FANTASIA) Flammarius

Primeira parte de um plot novo que comecei a escrever recentemente. :-)

COSTA SUDOESTE DA ANTÁRTICA, 12 A 15 DE JANEIRO DE 2022 d.C.
As geleiras começavam a se destacar no horizonte como pequenas manchas acinzentadas entre o véu da noite e a escuridão do oceano. A embarcação, apesar de grande e forte, balançava com os ventos frios que cortariam a pele de qualquer um exposto à superfície sem o corpo completamente coberto e protegido. Lúcia estava em sua cabine sem conseguir pregar os olhos - estariam pisando no Polo Sul na manhã seguinte. As mãos, trêmulas, seguravam um pedaço de papel amassado e manchado.
A carta chegara cinco meses antes, no seu vigésimo quarto aniversário, e o pavor que a afligira à época era o mesmo que a fazia tremer na cabine. A remetente da carta era sua avó e mãe de criação, Elvira, e datava do dia de sua morte há 6 anos.
“Minha amada Lúcia,
Escrevo do seu passado para o seu futuro e espero que acredite nas palavras que se seguem. Busquei por anos o melhor jeito de explicar, mas elas estavam certas, não cabe a mim antecipar o seu destino.
Se nenhuma intercorrência se passou, hoje você faz vinte e quatro anos e está no ápice de sua juventude - lembro-me bem da minha era sem rugas e sem artrite, aproveite enquanto pode! Justamente por isso, é o momento de descobrir o mundo e, com ele, descobrir a si mesma.
O dinheiro que envio junto à carta é apenas para o começo de sua jornada, e ela se inicia no fim do mundo. Conheça Buenos Aires e, se possível, compre as roupas mais quentes que achar por lá - então, siga para o Ushuaia e entre na barca, eles estarão esperando por você.
No centro do Polo Sul, Estação Amundsen-Scott, ao anoitecer do dia 15 de janeiro de 2022, você encontrará as respostas às perguntas que nunca pude te responder. Mande um abraço a seus pais.
Amo você para sempre, meu docinho de coco,
Vovó Elvira.”
Vovó Elvira sempre fora cheia de segredos. Dizia que os pais de Lúcia estavam mortos, mas não dizia jamais como morreram. Após oito anos de tentativas, a menina decidiu entrar em paz com a dúvida eterna. Outro mistério, que sempre provocava risadas na velha, era sua relação com os pais de Lúcia - de quem ela era mãe?
Essas e outras perguntas mais, sempre sem solução, fizeram de Lúcia uma mulher desapegada às suas raízes - sua única família era Elvira e ela não tecia comentários sobre o passado. Dizia sempre que “o que ainda não se aprendeu, se deve de fato ser aprendido, assim será”, o que não fez sentido na cabeça de Lúcia por muitos anos e, sinceramente, ainda não tinha plena noção do que a avó queria dizer. Ainda assim, ali estava ela, motivada pela curiosidade, movida pelo medo - ou seria por puro instinto?
Não percebeu quando adormeceu, mas acordou com os gritos da Capitã Sanders - estavam descendo os botes para chegar à costa. De estrutura metálica, mesmo sob as várias camadas de roupa, o bote congelava as nádegas dos tripulantes. O vento frio batia sobre o óculos de proteção de Lúcia como uma serpente em ataques enfurecidos. O oceano, congelado sob o barco, ia se quebrando conforme este avançava.
Com muito esforço, pegou a câmera de dentro de sua mochila, limpou o gelo das lentes e fotografou a chegada a Marie Byrd Land, a porção de terra da Antártica não reclamada por nenhuma nação - um território quase abandonado. Guardou a câmera na mochila, colocando-a às costas antes de sair e, enfim, pisar em solo mais ou menos firme. Aproximou o punho da boca, após ativar o gravador em seu Apple Watch.
Quinta-feira, treze de janeiro de dois mil e vinte e dois. Devem ser onze horas da
manhã, mas, na realidade, tentar medir as horas aqui é um tanto complicado. A cada passo, um novo meridiano, uma nova hora, e nem pensar em se guiar pelo Sol - tentou olhar para o céu, mas os olhos arderam devido à claridade das nuvens. - Caminharemos mais algumas horas até chegar no helicóptero que nos levará à Estação Amundsen-Scott. O trajeto pela região de Marie Byrd Land é uma operação exploratória das Nações Unidas para reconhecimento e mapeamento da área, considerada um ponto frágil para eventos terroristas. O barulho cortante do vento ensurdece até mesmo as palavras que saem da minha boca, é um silêncio estrondoso. Consigo sentir a tensão ao meu redor, quase como se estivéssemos indo para a guerra. Espero que seja apenas o frio.
A caminhada foi mais extensa do que o planejado, em decorrência de uma nevasca anunciada, o que obrigou a equipe de expedição a tomar um caminho mais longo, por um desfiladeiro - o que deixou Lúcia preocupada com sua claustrofobia. Pararam para comer uma única vez, dando um milagroso porém insuficiente descanso para os músculos dos viajantes. Apenas os geólogos ainda mantinham-se em movimento durante a pausa, fazendo seus diversos testes e traçando seus estranhos mapas.
Estava anoitecendo quando Lúcia sentiu uma corrente gelada diferente percorrer sua espinha, eriçando ainda mais seus pêlos. O ar ficava ainda mais frio e a neblina mais forte, impedindo a visão de qualquer coisa a um palmo de distância dos olhos em questão de minutos.
A voz da Capitã Sanders ecoou distante:
Tateando às cegas, seguindo o som de sua voz, Lúcia chegou à fonte da voz.
Um estrondo ecoou no céu quando as correntes de vento aceleraram ao seu máximo. A nevasca estava ali. O desespero dessa vez não foi só de Lúcia - era geral. A ventania jogava as pessoas contra as paredes de gelo do desfiladeiro, cujas pontas no topo começavam a rachar ao se chocar com o ar corrente. Não tardou, passaram a despencar pedras imensas de gelo sobre a trupe.
Lúcia nunca vira tanto sangue. Nem quando trabalhava na cobertura de homicídios para o Correio Braziliense - e ela fora estagiária na época do Massacre de Planaltina. Faziam dois anos que conseguira o emprego como jornalista da Mundus, revista periódica de Direitos Humanos e Política Internacional, e ficara surpresa com sua indicação para a operação na Antártida - escrever sobre a experiência pré-guerra em um possível palco estratégico de batalha ainda não explorado. Em tese, sua área era apenas a escrita e não a fotografia, mas como só cederam um espaço à imprensa, Lúcia estava incumbida também de registrar as imagens da operação.
Jamais poderia fotografar o horror diante de seus olhos. A natureza rebatia feroz, selvagem, vermelha e branca. Sangue sobre gelo era tudo o que via. A vista não era sequer próxima de nítida, devido à névoa - mas isso era suficiente. Sem perceber, Lúcia desmaiou. Recobrou a consciência já dentro do helicóptero. Além dela, só mais outras duas pessoas da equipe pareciam ter sido resgatadas com vida.
Sem dizer palavra nenhuma, os homens armados que pilotavam o helicóptero pousaram num heliporto ao lado de um pequeno complexo de prédios baixos. A Estação Amundsen-Scott. Eu cheguei, pensou Lúcia. Um homem de cabelos ruivos compridos e de terno as esperava do lado de fora. Cumprimentou-as e engoliu em seco ao apertar as mãos (ou luvas) de Lúcia.
Lúcia estranhou nenhum suporte de saúde na saída do helicóptero. Ainda estava tonta e nauseada e não entendia a frieza ou o destaque dado a ela pelo homem ruivo. Se sentia dopada, ainda em choque. As outras duas pessoas - uma geóloga e um geofísico, casados - pareciam tão atônitas quanto Lúcia.
Não conseguia entender as palavras ditas pelo homem ruivo e só o seguiu, com seus dois companheiros, por dentro das instalações. Adentraram um elevador em algum momento e sua claustrofobia deu indícios de que daria um olá em breve. Desceram durante muito tempo, até chegarem em uma plataforma metálica escura com um grande círculo central em torno do qual diversos cientistas faziam análises dos processos que ocorriam em seu centro - parecia uma espécie de gás no ar, tremendo, mas brilhava como um neon suave sobre uma superfície aquosa. Lúcia pensou em tirar uma fotografia, mas estava muito grogue para conseguir segurar a câmera e tirar uma foto boa. Ouviu o homem ruivo balbuciar algumas palavras, das quais só compreendeu as últimas:
Sentiu-se com vontade de rir. Sua presença ali já não tinha mais sentido algum, não entendia absolutamente nada e, muito menos, podia contribuir em algo. Talvez a Capitã Sanders estivesse certa o tempo todo. Estavam na passarela aproximando-se do meio quando sons de explosão foram ouvidos na superfície. Vai tudo desabar de novo? Por favor, não, pensou Lúcia.
Um silêncio geral se fez na plataforma, ecoando apenas os sons de bombardeios. Em segundos, tudo começou a tremer e os barulhos se intensificaram. Estavam sob ataque. As sirenes vermelhas soaram ensurdecedoras e todos se puseram a sair pelo caminho de emergência - justo na direção da passarela na qual se encontravam Lúcia, os amigos e o homem ruivo.
Ao ver o montante de pessoas correndo em sua direção, sentiu a respiração travar e a pressão cair, quando foi empurrada por algum dos correntes, debruçando-se sobre o apoio da passarela. Encarando o fundo, percebeu que parecia um buraco sem fim, completamente eterno e vazio, exceto pelas luminosidades estranhas também vistas no centro da plataforma. Bastou mais um empurrão para desequilibrar Lúcia e jogá-la em queda livre no buraco eterno.
Seu primeiro ímpeto foi gritar, mas a voz parecia não sair. Caindo de costas, conseguia ver as chamas explodindo nos andares acima. Não sabia dizer se era alucinação ou não, mas as luzes coloridas pareciam se condensar em torno de seu corpo, num brilho rosado. Ainda olhando para cima, a última coisa que viu foi um crescente clarão verde - inicialmente um ponto mínimo no horizonte, como os icebergs quando estavam chegando ao continente, mas que de súbito preencheu absolutamente todo o espaço ao seu redor num impacto tremendo. Tudo ficou preto e Lúcia dormiu o melhor sono de sua vida.
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2019.06.13 18:45 euamocachorros79 Nietzsche e o mito

Se você, através de algum dispositivo infalível, obtivesse a certeza de que o tempo é uma ilusão, e que todo e qualquer ato vivido até agora, os que serão ainda experimentados e até mesmo o presente momento em que seus olhos percorrem essas linhas, coexistem simultaneamente no mesmo ambiente, o que faria? Mais do que isso, encararia esse fato como uma condenação ou como uma benção? Como você escolheria viver, tendo a noção de que seus atos ecoarão pela eternidade para ouvidos ausentes?
Paula pensava saber a respostas para essas questões até sentir o solavanco da pistola semiautomática, calibre 9mm, em seu pulso, antebraço e ombro. Assim que o cheiro de pólvora e ferro tomou de assalto suas narinas e pulmões, disparando sinapses necessárias para reconhecer o que ocorrera, a boca, seca até então, começou a salivar no prenúncio atávico do vômito causado por choque. A mão suada e fria deixou escorregar a pistola até a mesma produzir um som vazio e seco ao encontrar-se com o chão. Paula não ouviu, seus ouvidos imersos num zumbido agudo e incessante.
A arma é um objeto inanimado, com partes móveis, capaz de produzir um resultado final coeso e definido desde que matéria-prima e demais entradas sejam ordenadas de maneira adequada. Movimento é vida. O disparo oriundo da pressão sobre o gatilho, o deslocamento do cão, a explosão controlada, a trajetória do projétil, todos movimentos. A pistola, ainda que brevemente, vive. Armas não matam pessoas, pessoas matam pessoas. O ciclo da vida repete-se, novamente e mais uma vez.
Os vidros protegidos por película escura escondem o interior do carro, ao sair do condomínio fechado na Zona Oeste da cidade. Melhor assim, uma vez que ninguém deveria ver uma mulher tentando controlar as lágrimas e retomar o controle da própria vida. A tensão mostra-se péssima carona, desviando o foco do tráfego e quase causando uma colisão entre um motoboy e sua Ranger, ainda na esquina do conjunto habitacional. Ela entende o custo de um possível acidente agora e agradece mentalmente a intervenção divina que a fez acionar os freios a tempo de impedi-lo. Respira fundo e ignora os xingamentos gritados pela quase vítima, enquanto retoma a marcha que a afastará do pesadelo recente.
A pobreza na infância e juventude não impediu sua formatura em Pedagogia numa universidade pública, e posteriormente, uma especialização em filosofia da educação. Paula manifestara interesse em diferentes correntes de pensamento durante sua vida acadêmica. Leitora ávida dos filósofos alemães, americanos, japoneses e dinamarqueses, encontrava acolhimento para suas neuroses e crises de insônia no existencialismo. A falta de uma figura paterna sólida coletava seus impostos à noite, impedindo o sono e imprimindo um ritmo acelerado na busca por aprovação e reconhecimento de homens mais velhos. Ela queria casar, constituir família, ser uma pessoa boa para os que amava e para o restante da sociedade.
O tenente reformado, duro e simples, com um leve desvio na dicção que o fazia soar como alguém que possui a língua presa, sentia-se sozinho após o segundo divórcio. Seus filhos, homens adultos, cada um com seus projetos e ambições particulares, mantinham uma relação afastada e formal, oriunda das regras de casa. Jairo queria atenção, carinho e respeito de uma mulher jovem, submissa e alheia ao seu passado. Não suportava a noção de ter que manter contato civilizado com as ex-mulheres, ingratas na sua concepção, que haviam corrido de casa no instante em que se achavam merecedoras de pensões, incapazes de perceber o quanto ele tolerava suas necessidades por cirurgias plásticas, sessões de massagens linfáticas e uso irrestrito de cosméticos numa tentativa fútil de voltar no tempo.
Fulminados por uma paixão arrebatadora, nove dias após conhecerem-se num debate sobre a gratuidade da educação pública, ela favorável, ele contrário, Paula e Jairo começaram um relacionamento que seria responsável, anos mais tarde, pela geração de uma menina linda e vivaz, Carolina. Apesar da divergência entre seus posicionamentos, viveram em relativa harmonia até o dia em que, tentando se impor em uma discussão doméstica, acerca dos valores a serem ensinados à filha, Jairo soltou a palma pesada contra o rosto, de pele macia e branca, de Paula, entre as quatro paredes do quarto do casal. Em estado de choque, ela não reagiu e os golpes repetiram-se, uma, duas, três, incontáveis vezes. Após a surra, Jairo deixou o quarto e arfando, sobre o ombro, disse:
- Olha o que você me fez “fasser”.
Ela não respondeu, apenas tentava abafar o choro contra o travesseiro, deixando na fronha olhos, nariz e boca molhados numa caricatura horrenda de si. O medo pela segurança de sua filha, a sensação de impotência e o ódio começando a cozinhar um caldo amargo dentro do peito.
No banco traseiro da Ranger, Carolina pergunta para a mãe o motivo de ser buscada mais cedo na escola. Paula, pensando nos seus filósofos preferidos, responde a filha suspirando, o motor do carro num som ritmado, buscando um rumo novo:
- Eu escolhi viver. Te amo filha.
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2019.06.13 18:43 euamocachorros79 Nietzsche e o mito

Se você, através de algum dispositivo infalível, obtivesse a certeza de que o tempo é uma ilusão, e que todo e qualquer ato vivido até agora, os que serão ainda experimentados e até mesmo o presente momento em que seus olhos percorrem essas linhas, coexistem simultaneamente no mesmo ambiente, o que faria? Mais do que isso, encararia esse fato como uma condenação ou como uma benção? Como você escolheria viver, tendo a noção de que seus atos ecoarão pela eternidade para ouvidos ausentes?
Paula pensava saber a respostas para essas questões até sentir o solavanco da pistola semiautomática, calibre 9mm, em seu pulso, antebraço e ombro. Assim que o cheiro de pólvora e ferro tomou de assalto suas narinas e pulmões, disparando sinapses necessárias para reconhecer o que ocorrera, a boca, seca até então, começou a salivar no prenúncio atávico do vômito causado por choque. A mão suada e fria deixou escorregar a pistola até a mesma produzir um som vazio e seco ao encontrar-se com o chão. Paula não ouviu, seus ouvidos imersos num zumbido agudo e incessante.
A arma é um objeto inanimado, com partes móveis, capaz de produzir um resultado final coeso e definido desde que matéria-prima e demais entradas sejam ordenadas de maneira adequada. Movimento é vida. O disparo oriundo da pressão sobre o gatilho, o deslocamento do cão, a explosão controlada, a trajetória do projétil, todos movimentos. A pistola, ainda que brevemente, vive. Armas não matam pessoas, pessoas matam pessoas. O ciclo da vida repete-se, novamente e mais uma vez.
Os vidros protegidos por película escura escondem o interior do carro, ao sair do condomínio fechado na Zona Oeste da cidade. Melhor assim, uma vez que ninguém deveria ver uma mulher tentando controlar as lágrimas e retomar o controle da própria vida. A tensão mostra-se péssima carona, desviando o foco do tráfego e quase causando uma colisão entre um motoboy e sua Ranger, ainda na esquina do conjunto habitacional. Ela entende o custo de um possível acidente agora e agradece mentalmente a intervenção divina que a fez acionar os freios a tempo de impedi-lo. Respira fundo e ignora os xingamentos gritados pela quase vítima, enquanto retoma a marcha que a afastará do pesadelo recente.
A pobreza na infância e juventude não impediu sua formatura em Pedagogia numa universidade pública, e posteriormente, uma especialização em filosofia da educação. Paula manifestara interesse em diferentes correntes de pensamento durante sua vida acadêmica. Leitora ávida dos filósofos alemães, americanos, japoneses e dinamarqueses, encontrava acolhimento para suas neuroses e crises de insônia no existencialismo. A falta de uma figura paterna sólida coletava seus impostos à noite, impedindo o sono e imprimindo um ritmo acelerado na busca por aprovação e reconhecimento de homens mais velhos. Ela queria casar, constituir família, ser uma pessoa boa para os que amava e para o restante da sociedade.
O tenente reformado, duro e simples, com um leve desvio na dicção que o fazia soar como alguém que possui a língua presa, sentia-se sozinho após o segundo divórcio. Seus filhos, homens adultos, cada um com seus projetos e ambições particulares, mantinham uma relação afastada e formal, oriunda das regras de casa. Jairo queria atenção, carinho e respeito de uma mulher jovem, submissa e alheia ao seu passado. Não suportava a noção de ter que manter contato civilizado com as ex-mulheres, ingratas na sua concepção, que haviam corrido de casa no instante em que se achavam merecedoras de pensões, incapazes de perceber o quanto ele tolerava suas necessidades por cirurgias plásticas, sessões de massagens linfáticas e uso irrestrito de cosméticos numa tentativa fútil de voltar no tempo.
Fulminados por uma paixão arrebatadora, nove dias após conhecerem-se num debate sobre a gratuidade da educação pública, ela favorável, ele contrário, Paula e Jairo começaram um relacionamento que seria responsável, anos mais tarde, pela geração de uma menina linda e vivaz, Carolina. Apesar da divergência entre seus posicionamentos, viveram em relativa harmonia até o dia em que, tentando se impor em uma discussão doméstica, acerca dos valores a serem ensinados à filha, Jairo soltou a palma pesada contra o rosto, de pele macia e branca, de Paula, entre as quatro paredes do quarto do casal. Em estado de choque, ela não reagiu e os golpes repetiram-se, uma, duas, três, incontáveis vezes. Após a surra, Jairo deixou o quarto e arfando, sobre o ombro, disse:
- Olha o que você me fez “fasser”.
Ela não respondeu, apenas tentava abafar o choro contra o travesseiro, deixando na fronha olhos, nariz e boca molhados numa caricatura horrenda de si. O medo pela segurança de sua filha, a sensação de impotência e o ódio começando a cozinhar um caldo amargo dentro do peito.
No banco traseiro da Ranger, Carolina pergunta para a mãe o motivo de ser buscada mais cedo na escola. Paula, pensando nos seus filósofos preferidos, responde a filha suspirando, o motor do carro num som ritmado, buscando um rumo novo:
- Eu escolhi viver. Te amo filha.
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2018.12.21 13:28 Desabafoparabobona Um adeus para uma bobona: A Garota Sonhadora.

Olá, como você está? Espero que bem... enfim, só queria dizer que você foi a mulher que me proporcionou muita felicidade, triste em dizer que momentânea, pois nunca deu certo entre a gente né?
Lembro quando te conheci no CS, quando conversamos, rimos, e depois de um tempo, nos apaixonamos, criamos sonhos e planos, porém fomos muito ingênuos quanto a nossa realidade. Você estava em um término de relacionamento abusivo, onde te tratavam como lixo, mesmo eu dando muitos conselhos, você nunca me deu ouvidos.
O que dizer sobre os Ghosting que meia volta você fazia comigo, e claro, você tinha seus motivos para isso, porém sempre me magoava. O tempo que demorei para te esquecer depois do último Ghosting, reaprendi a viver e demorou para aprender a lembrar de você sem sentir dor...
Depois de um tempo, me surpreendo com o e-mail que você me mandou, voltamos a conversar, você agora mudada e declarando seu amor puro para mim, mas receio que já era tarde e meu coração não aceitaria você de volta mais uma vez. Coisa que até então eu não tinha certeza, e nunca contei a você.
Juro que tentei muito, acreditei nos nossos planos de juntar nossas vidas, ir morar juntos, mas infelizmente sempre tive um pé atrás com você sobre tudo o que eu já tinha passado com você no passado.
Logo então você começou a mentir pra mim, conheceu um outro cara onde se dizia amiga dele, sempre usando sua depressão como carta branca para fazer o que bem entender, dizendo que não tinha amigos... enfim parecia que eu já previa o que ia acontecer. Todas as suas mentiras só eram combustível para minha cisma...
No final das contas, você sempre me culpou por tudo isso ter acontecido, pois não me entreguei de verdade para você, posso até ter sido babaca por não te dar uma 2° chance, mas sei lá, acho que era coisa do destino. Dizendo que eu tinha mudado, que não era o mesmo de quando a gente se conheceu, que eu não te dava mais atenção, e você foi obrigada a encontrar isso em outra pessoa.
Devo frisar que sua atitude foi a mais babaca que já vi em toda a minha vida, e creio que você também concorde comigo, pois o que você fez, foi uma puta sacanagem... mas enfim... segue o baile.
Muitas coisas ruins aconteceu entre a gente, mas isso não desmerece as coisas boas que a gente viveu juntos. Todas as nossas madrugadas juntos, sua voz era como remédio viciante para mim, ouvir um "eu te amo" era a coisa mais maravilhosa do mundo, e como ouvir Eden sem lembrar de você? Sem lembrar de toda a nossa história? Impossível... Sinto que você deixou uma marca em mim, e ela será para sempre... felizmente ou infelizmente...
Final de ano ficou marcado para a gente, e chegando esse mês a melancolia bate forte... Só queria dizer que eu nunca amei alguém tão intensamente igual amei você, foi o amor mais sincero que já senti por alguém, e nunca alguém na minha vida deixou uma marca assim tão forte igual você deixou em mim.
Espero que esteja feliz pela escolha que fez, não guardo mágoa nem rancor, desejo tudo de melhor para ti, porém receio que seja melhor nunca mais a gente se falar ou ter contato. Infelizmente nossos destinos já tinham sido traçados a partir do dia que nos conhecemos, e se foi pra ser assim, então que seja.
Só espero que amadureça mais, e que seja uma pessoa mais sincera, deixe de viver nesse seu mundinho onde tudo é perfeito, cheio de unicórnios coloridos e abra seus olhos para a verdadeira realidade.
Quem sabe em outra vida, em um universo paralelo, a gente dê certo.
Enfim, receio que você não frequente esse fórum, e as chances de ler isso são nulas, mas esse foi um simples desabafo para pregar o último prego no caixão, e enterrar nossa história de vez.
Adeus garota sonhadora, você sempre será... bobona ;)
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2013.09.04 19:44 allex2501 Em Berlim, a bitcoin substitui facilmente o euro

Graefekiez, Berlim, agosto de 2013. Como todas as terças-feiras, ouvem-se, junto ao canal, os pregões característicos do mercado turco. Os berlinenses que deambulam entre as bancas deixam-se tentar pelos irresistíveis descontos de última hora. Mikaela compra um quilo de peixe – “três euros”, anuncia o pequeno reclamo – e paga em dinheiro, de mão para mão. Sem recibo, nem caixa. A transação não deixa um único traço visível, a não ser o saco cheio de peixes reluzentes que Mikaela leva consigo.
Duzentos metros mais a sul, no mesmo bairro, Brand bebe um latte macchiato, ao balcão do Floor’s Café. Quando chega a altura de pagar, Brand pega no smartphone, fotografa o flashcode que apareceu no ecrã da caixa, carrega no “OK” e vai-se embora. Também ele não deixou rasto do pagamento que fez. Ou quase. Um software transferiu dinheiro da sua conta na Internet para a conta do café e a operação está exposta na “cadeia de cifras em bloco” – o registo que lista as transações por ordem cronológica. O jovem, de 32 anos, não precisou de cartão de crédito nem de conta bancária. Os dados da transação estão a salvo na cadeia, protegidos por processos criptográficos extremamente rigorosos que impedem que qualquer pessoa tenha acesso a eles ou possa alterar o montante, a origem ou o destino.
Moedas baseadas na tecnologia da Internet
Um milagre da bitcoin, a moeda virtual que, aqui em Kreuzberg, Berlim, está a ter grande sucesso. Cerca de 25 estabelecimentos comerciais – sobretudo bares, mas também hotéis, restaurantes, pequenas lojas de eletrónica e papelarias – aceitam esta moeda, inventada em 2009 por um pirata informático anónimo, conhecido sob o nome de Satoshi Nakamoto.
Neste momento, a cotação da cripto-divisa é muito alta: uma bitcoin vale cerca de 78 euros, o que quer dizer que um café custa apenas aproximadamente 0,02 Neste momento, a cotação da cripto-divisa é muito alta: uma bitcoin vale cerca de 78 euros, o que quer dizer que um café custa apenas aproximadamente 0,02. Pelo menos no papel, é possível comprar tudo com bitcoins: casas, automóveis, computadores, roupas. Embora satisfaça todos os critérios que definem uma divisa, conforme reconheceu recentemente o juiz texano Amos Mazzant, a bitcoin escapa por completo ao controlo dos governos e dos bancos centrais, que começam a preocupar-se com a sua expansão, em aumento constante.
Sentado na sua Vespa branca, em frente do Floor’s, Brand explica em poucas palavras como funciona o sistema bitcoin. Segundo ele, é uma opção responsável, como comprar um produto biológico em vez um produto de baixo custo. Com o smartphone na mão direita, entra na aplicação EasyWallet. Depois, basta fotografar o flashcode do bar, inserir o montante necessário, carregar no OK – e o pagamento está feito. “Pago em bitcoins pelo menos duas vezes por dia: o almoço ou o café. Não sei se a bitcoin será a moeda do futuro, mas serão sem dúvida moedas baseadas na tecnologia da Internet que irão impor-se. Talvez venham a existir várias, mas tenho a impressão de que é uma evolução inexorável”, declara.
Um software e um flashcode
A proprietária do Floor’s Café chama-se Florentina Martens. Com 26 anos, esta holandesa, antiga estudante de Belas Artes em Berlim, montou a sua pequena empresa de restauração e defende e aplaude a bitcoin. Para Florentina, tudo começou com a experiência como empregada de um bar das proximidades, que autorizava os pagamentos na moeda alternativa. “Ao princípio, a coisa incomodava-me um bocado, porque não percebia muito bem como funcionava, e, quando alguém queria pagar em bitcoins, não me sentia à vontade.” Mais tarde, quando decidiu abrir o seu próprio café, deixou-se convencer por alguns vizinhos, informou-se e decidiu aceitar pagamentos nesta moeda que, não muito tempo antes, ainda associava a uma tarefa complicada. O cliente só precisa de um software e de um flashcode. Até agora, Florentina ainda não trocou bitcoins por euros. Gasta no bairro, tudo quanto ganha em moeda virtual.
No início, eram raros os clientes que pediam para pagar em bitcoins. Mas, hoje, todos os dias há alguns que as usam para pagar um café, um bolo ou uma sandes. “Não são nerds com óculos e rabo-de-cavalo. E são tantos homens como mulheres, na maioria jovens, pertencentes aos meios alternativos”, explica Florentina. Para ela, tal como para quase todos os outros “bitcoiners” entrevistados pelo Linkiesta, a principal motivação é o repúdio, que foi tomando forma sobretudo durante a crise, pelos bancos privados e pelas políticas monetárias dos bancos centrais em geral. A divisa alternativa “descentralizada” é considerada como uma coisa mais próxima dos consumidores, além de ser conforme com o espírito da época.
Não foi por acaso que esta experiência foi realizada em Graefekiez, um bairro não muito grande, que possui uma alma e uma estrutura económica próprias. A história começou no Room77, “o restaurante nos confins do capitalismo”, que, desde o início de 2012, oferece aos clientes “cerveja quente, mulheres frias e comida de fast-food servida devagar” (como afirma a inscrição por cima da porta).
Uma moeda digital
O proprietário, Joerg Platze, um alemão de origem norte-americana (o seu pai era texano), tornou-se uma espécie de evangelizador da moeda digital: graças a ele, em boa parte dos estabelecimentos comerciais do bairro, vê-se hoje um autocolante com a frase “Aceitamos bitcoins”. “Para mim, trata-se sobretudo de uma questão prática: é muito rápido e mais económico”, garante. Ao contrário, por exemplo, do cartão de crédito, a transação não envolve qualquer despesa. Joerg Platze conseguiu convencer outro tipo de estabelecimentos, como um velho eletricista, vizinho do Room77, que acaba de instalar o software e de afixar na porta o autocolante Bitcoin. Ainda não recebeu clientes adeptos da bitcoin, mas saberá o que fazer, quando estes aparecerem.
O sistema de pagamento Bitcoin ajusta-se à sua conceção de hotelaria alternativa, que se demarca voluntariamente da hotelaria tradicional Saída de uma escola de hotelaria e antiga empregada na área da restauração, Cassandra Wintgens, de 41 anos, é proprietária da casa de hóspedes “Lekkerurlaub”. O sistema de pagamento Bitcoin ajusta-se à sua conceção de hotelaria alternativa, que se demarca voluntariamente da hotelaria tradicional, com quartos a preços baixos, alimentação biológica, Wi-fi e o uso de uma moeda que não passa pelos bancos. “O nosso primeiro hóspede chegou no fim de maio. Disse que tinha lido que se podia pagar em bitcoins, e que tinha sido por isso que decidira alugar um quarto na nossa casa.” O quarto individual custa 0,52 bitcoins, ou seja, 40 euros, e o quarto duplo 0,85, ou seja, 54 euros. As faturas da casa de hóspedes preveem já o pagamento em bitcoins, que só será preciso converter, para a declaração de rendimentos do fim do ano, como explicou o contabilista do estabelecimento.
Perigo de falsificação
Contudo, fora do paraíso de Graefekiez, a realidade é um pouco diferente. A moeda virtual já circula nos mercados financeiros: a ausência de um banco central que controle a sua cotação torna-a extremamente flutuante – uma situação que, por um lado, atrai e, por outro, assusta os investidores aventureiros. A Phylax é uma empresa alemã de consultoria financeira, que oferece aos seus clientes assistência tecnológica e que, nos últimos anos, se especializou no sistema de pagamento Bitcoin. “Começámos a interessar-nos pela bitcoin faz agora dois anos e concluímos que era uma experiência atraente. Seduziu-nos a ideia de uma moeda descentralizada, sem banco central de referência, e em que cada um é parte interessada no processo de criação da nova divisa”, explica o diretor-geral da Phylax, Fridhelm Schmitt. Na altura, a bitcoin equivalia a dois euros e a Phylax pressentiu o seu potencial: a empresa comprou bitcoins a entre oito e dez euros e, mais tarde, vendeu a totalidade por entre 45 e 85 euros cada. Foi a volatilidade da cotação que motivou a venda.
Mas não é uma burla: é uma moeda real Segundo os cálculos da Phylax, atualmente, 45 euros [por uma bitcoin] seria um valor “razoável”. “Não compreendo todas as preocupações que esta experiência suscita. É verdade que, hoje, se pode perder muito dinheiro com a bitcoin [nos mercados financeiros]. Mas não é uma burla: é uma moeda real. Acontece que as pessoas confundem burla com risco, mas este é próprio dos mercados.” Para Fridhelm Schmitt, o perigo principal é, “um dia”, a bitcoin vir a ser falsificada: “Atualmente, estão em curso vários estudos sobre essa possibilidade, mas, hoje, a falsificação é impossível.”
Fonte Presseurop Portugal Texto Laura Lucchini Valerio Bassan
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